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O importante papel do oftalmologista::.
publicado em 28/09/2009

"A responsabilidade do médico não termina quando cessa a fase aguda da doença ou é completada a cirurgia. Ela se estende até o momento em que o paciente se encontra em condições de viver e trabalhar com suas funções remanescentes." (LEAVEL E CLARK, 1976).

O processo de reabilitação exige o mesmo grau de cooperação entre médico e a comunidade do que aquela exigida para a promoção da saúde. O paciente desenvolve um alto grau de confiança e credibilidade em relação ao médico que o acompanha. Neste sentido, quando é necessário o encaminhamento para o processo de reabilitação, é importante que seja realizado pelo oftalmologista.

A necessidade de reabilitação evidência-se nos casos de: depressão; falta de motivação para realizar o uso do auxílio óptico; baixa auto-estima; alteração no papel social e/ou familiar; dificuldade em aceitar a baixa visual; necessidade de orientação e treinamento para o uso da visão residual e necessidade de orientação familiar.

O processo de reabilitação tem o objetivo de oferecer condições para que a pessoa que adquiriu a deficiência visual tenha o maior nível de independência e autonomia possível, contribuindo assim para melhor qualidade de vida (Montilha et al, 2008).

São consideradas atividades essenciais para a reabilitação de indivíduos com cegueira a orientação e a mobilidade, atividades de vida diária, a educação básica e a profissionalização (Montilha et al, 2008).

Em relação aos indivíduos com baixa visão, destaca-se a importância de atividades que promovam a eficiência visual, com utilização de recursos ópticos e não-ópticos adequados às necessidades de cada indivíduo, após passar por minuciosa avaliação oftalmológica. Ressalta-se ainda a importância da equipe multidisciplinar, que deve contribuir para a utilização do resíduo visual de forma contextualizada nas diferentes atividades do cotidiano (Montilha et al, 2008).

Outro aspecto de fundamental importância no processo de reabilitação do adulto que adquire a deficiência visual refere-se à reabilitação profissional. O retorno ao exercício profissional, pode parecer, para o paciente, algo impossível em um primeiro momento, mas depois de um processo de reabilitação, onde desenvolve outras habilidades e reconhece seu potencial, adquirindo autonomia e independência, este passa a ser, na maioria dos casos, um objetivo. No entanto a aposentadoria ainda é muito solicitada.

Avanços nas políticas públicas têm ajudado a garantir maior acesso ao trabalho pela pessoa com deficiência visual. Exemplos destas iniciativas são a leis de cotas tanto no setor privado, como nos concursos públicos. O mesmo direito também é garantido nas cooperativas sociais, estágios, trabalhos temporários ou em contratos de experiência.

Aposentadoria por invalidez precoce, ou seja, sem que a pessoa com deficiência, tenha tido tempo hábil, para elaborar o luto pela perda da visão, ou passar por um processo de reabilitação é desaconselhável. É necessário que a pessoa com deficiência visual tenha a oportunidade de retomar sua auto-confiança, e possa discutir com equipe interdisciplinar uma nova atividade profissional a ser desempenhada.

Fonte: Soblec-Rita de Cassia Ietto Montilha
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